Escrever sobre a vida de homens negros no Brasil durante vinte e seis anos exige um método que não se deixe seduzir por picos. O boletim mede semanas, não manchetes. Quando o Brasil se anima com um caso, o boletim já registrou antes e continuará depois.
Três pilares
Presença. A redação não cobre o que aparece: ela está onde o fato se faz. Um bairro em São Paulo, uma feira em Belém, uma academia em Recife, uma universidade em Minas. O boletim é feito com os pés antes das palavras.
Arquivo. Cada semana produz um registro. Cada registro entra num arquivo ordenado por ano, câmara e tipo. Quem lê hoje pode recuperar qualquer semana de qualquer ano desde 2001. O arquivo é nossa memória de trabalho.
Repetição. O método nasce do retorno. Toda semana o boletim pergunta as mesmas coisas: o que mudou, o que ficou, o que chega. A repetição forma um padrão — e só pelo padrão se vê o que é anomalia.
Seis câmaras
Brasil, Mundo, Economia, Cultura, Saber e Esporte. São frentes de cobertura, não categorias rígidas. Um dossiê de Cultura pode atravessar Saber. Um retrato de Brasil pode começar em Mundo. A câmara é a entrada, não a prisão.
Sete tipos
Nota, retrato, cobertura, reportagem, crônica, ensaio, dossiê. Cada entrada semanal pertence a um tipo. O tipo modula a profundidade — uma nota tem três parágrafos, um dossiê tem trinta páginas — mas o cuidado é o mesmo.
Registrar sem espanto e sem proselitismo — uma semana após a outra, um ano sobre o outro.
O tempo do boletim
O boletim anual sai em abril. Isso é importante: não em janeiro (quando todo mundo olha pra trás), mas em abril (quando o ano já tem peso). Abril é quando dá para ver o padrão da semana quinze em cima da um.
Entre um boletim anual e outro, são 52 registros semanais — cada um datado, cada um assinado pela redação, cada um arquivado. Nada se perde.
Quem escreve
A redação é distribuída entre São Paulo, Salvador e Recife. Colaboradores eventuais em Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília. Correspondentes em Lisboa, Nova York e Lagos. O boletim não tem sede — tem rede.