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O Genocídio do Negro Brasileiro · 1978

Ensaio fundante de Abdias do Nascimento apresentado em 1977 no Colóquio do Festac (Lagos) e publicado em 1978. Processo de um racismo mascarado. Dossiê editorial, não transcrição integral (obra protegida).

Tipo
Ensaio · Livro (obra protegida por direito autoral)
Data
1977 (colóquio) · 1978 (publicação)
Autor
Abdias do Nascimento
Editor
Paz e Terra · Rio de Janeiro (1ª ed.) · Perspectiva (reediç.)
Apresentação original
FESTAC — 2nd World Black and African Festival of Arts and Culture · Lagos, Nigéria (1977)
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Em janeiro de 1977, Abdias do Nascimento viaja a Lagos, Nigéria, para o Second World Black and African Festival of Arts and Culture (FESTAC), reunião que congregou artistas e intelectuais de toda a diáspora africana. Recusado como delegado oficial pelo governo Geisel, Abdias viaja na condição de convidado independente e apresenta, no colóquio acadêmico do festival, um ensaio que se tornaria marco: O Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado. O texto é publicado em livro em 1978, pela Paz e Terra, com prefácio de Florestan Fernandes.

A tese central

Abdias argumenta que o Brasil não realizou — como ensinava a mitologia da “democracia racial” gilbertiana — uma miscigenação harmoniosa e emancipadora. Ao contrário: o projeto nacional brasileiro, desde a Abolição (1888) e o branqueamento imigratório (1890–1950), configurou um processo continuado de genocídio — não pela câmara de gás, mas por mecanismos estruturais: extermínio físico (mortalidade infantil, violência policial), extermínio cultural (apagamento de símbolos e religiões afros), extermínio demográfico (embranquecimento biológico forçado) e extermínio epistêmico (exclusão das universidades e centros de produção de conhecimento).

A palavra genocídio é mobilizada no sentido jurídico técnico — conforme a Convenção de 1948 da ONU, que define genocídio como atos com “intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Abdias argumenta que o processo brasileiro satisfaz cinco das seis condutas elencadas no artigo II da Convenção.

Estrutura do livro

A obra organiza-se em oito partes: (1) prefácio crítico de Florestan Fernandes; (2) ensaio principal apresentado em Lagos; (3) apêndices documentais (dados demográficos, comparações com EUA e Caribe); (4) entrevistas e artigos complementares; (5) cronologia das lutas negras brasileiras; (6) bibliografia selecionada; (7) notas biográficas; (8) iconografia. Ao longo de cerca de 180 páginas, Abdias move-se entre o rigor sociológico e a veemência do testemunho pessoal.

Recepção e legado

O livro foi recebido, no momento de publicação, com resistência silenciosa pela academia brasileira — que só viria a reler a obra a partir dos anos 2000, quando as políticas de cotas reabriram o debate racial com força institucional. Hoje, O Genocídio do Negro Brasileiro é leitura obrigatória em programas de Pós-Graduação em Sociologia, Antropologia, História e Relações Raciais em dezenas de universidades brasileiras.

A obra dialoga diretamente com: The Souls of Black Folk (Du Bois, 1903); Black Skin, White Masks (Fanon, 1952); Capitalism and Slavery (Eric Williams, 1944); e, no campo brasileiro, com a obra tardia de Florestan Fernandes e com Guerreiro Ramos.


Nota editorial: esta página não reproduz o texto integral do livro, que permanece protegido por direitos autorais do espólio de Abdias do Nascimento. Funciona como dossiê editorial — apresentação, contexto e caminho para acesso à obra. A reedição mais recente (Perspectiva, 2016) está disponível em livrarias físicas e digitais. O IPEAFRO mantém exemplares físicos em consulta aberta, em seu acervo no Rio de Janeiro.

Fontes e referências